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Graforreia Intermitente

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Politiquices: “Onde o Estado falha”

Todos sabemos que o conceito idílico de Democracia implica a participação ativa de todos os cidadãos na Política. Política, neste caso, enquanto parte essencial da vida em sociedade, e não enquanto carreira profissional.

Contudo, alguns (e eu incluo-me neste alguns) acreditam que não vivemos numa Democracia, mas antes numa Partidocracia. E os Partidos apenas procuram a participação dos eleitores ou contribuintes – daí não utilizar aqui o termo “cidadãos”, porque nem todos os que são cidadãos interessam aos Partidos. Os mais importantes são os que votam e os pagam impostos.

São diversas as formas que se idealizam para que exista esta participação dos cidadãos na Política, sendo que algumas visariam o controlo e fiscalização do próprio Estado. Entenda-se por Estado, os órgãos legislativos e executivos que “supostamente” elegemos. E, por carolice ou passividade, lá vamos deixando o Estado (Partidos) fiscalizar o Estado (Partidos), que é como quem diz: “Deixar a raposa a guardar as galinhas” ou como quem pergunta: “Quis custodiet ipsos custodes?”.

Decorrente destes novos tempos de world wide web e redes sociais, parece que a voz dos cidadãos (e de alguns parvos, também) começa a fazer-se ouvir com mais força. E, hoje em dia, um grito de revolta numa publicação de Facebook, por exemplo, pode ter um grande alcance e levar “alguém” a agir. Ou ainda não deram conta de que os assuntos que geram grande indignação nas redes sociais acabam por ser finalmente repetidos pela Comunicação Social e ouvidos pelos visados da contestação, sejam eles empresas ou governantes, levando-os a agir rapidamente? Seja um assunto de interesse relevante ou algo tão supérfluo que nem percebemos de onde surge tal indignação.

Pois bem, parece que há quem já tenha percebido que os cidadãos querem ser ouvidos. Querem indignar-se e contestar. Querem fiscalizar e denunciar. Querem mais transparência.

Uma parte do jornalismo português já acordou e voltou aos verdadeiros trabalhos de investigação, à sua função de informador e denunciador. Descobrem “máfias” e casos de corrupção.

Ora, talvez nesta onda, o Observador criou uma nova ferramenta: “Onde o Estado falha”. Um formulário através do qual as pessoas podem apresentar informações e denúncias – como por exemplo, situações de escolas com condições deploráveis para os alunos ou hospitais cujos serviços estão de tal modo caóticos que não têm profissionais ou camas disponíveis – que serão selecionadas e investigadas pelos seus jornalistas.

Para já, vale pelo que vale. Porque para crescer precisa de ser alimentado. Depende da participação das pessoas. Depende da força que ganhe e do impacto que consiga. Estou curioso para ver o que surgirá desse trabalho, sendo certo que talvez venhamos a ver expostas realidade que desconhecíamos e que nos poderão chocar… ou não!

 

raposas

 

 

Relembro que este blog já está presente no Facebook: Graforreia Intermitente.

Opinadela: Ateus-Carrapato e Maioria Cristã

post de hoje tem como ponto de partida o texto de opinião "Os ateus-carrapato" de Maria João Marques no Observador.

Em jeito de declaração de interesses, deixem-me, desde já, esclarecer que fui educado como cristão católico, contribui para a educação de outros nessa mesma fé e fui muito ativo na minha paróquia - não só como participante, mas também como voluntário e/ou como responsável por determinadas áreas paroquiais. 

Claro que estar tão inteirado dos assuntos paroquiais e conviver com os seus responsáveis me fez perder toda a confiança na igreja dos Homens, mas mantenho a minha fé - há quem lhe chame Fé Pessoal - na mensagem cristã. Considero-me um cristão à margem da igreja humana.

Voltando ao texto de Maria João Marques.

Por um lado concordo com a autora quando expõe a existência de ateus que parecem perseguir todos aqueles que resolvem colocar a sua Fé numa Religião - designados ali de "ateus-carrapato". A Fé (ou a profissão de uma fé) é um direito individual e, por muito que um determinada crença nos pareça irracional, ignorante, anormal ou doentia, é um direito que não deve ser negado a ninguém. Todos somos livres de acreditarmos no que quisermos e ninguém deveria ser julgado pela sua crença. 

Contudo, há um argumento (utilizado pela autora) que considero inapropriado e falacioso para qualquer assunto que envolva a Política ou a Sociedade Civil: «a maioria dos portugueses é católica».

Ainda que seja verdade (e acredito que seja), este argumento de maioria católica não deveria ser válido.

Temos já vários exemplos:

A maioria dos portugueses é católica, logo não deveria existir legislação que permita a Interrupção Voluntária da Gravidez. (Deixem-me voltar aos primeiros parágrafos que escrevi. Durante a campanha para o Referendo à Despenalização do Aborto em 2007, uma das minhas quezílias com o pároco, foi sobre a intimidação dos cristãos a votarem "Não" porque será pecado não só a prática do aborto, como também a inação dos cristãos ao deixarem que tal seja despenalizado. Qualquer outro argumento não era válido - e apesar de ser a favor desta despenalização, reconheço que há argumentos válidos contra a mesma.).

A maioria dos portugueses é católica e heterossexual, logo um contrato civil intitulado de casamento (atenção que nunca se tratou do Sacramento Cristão que se designa de Matrimónio) entre pessoas do mesmo sexo não deveria ser permitido. Só porque ameaça seriamente o desígnio cristão para o que a Sociedade deve considerar como Família - entram aqui outras situações como o divórcio.

A maioria dos portugueses é católica, logo não deveria existir legislação que despenalize a Eutanásia, porque o único que pode determinar a nossa Vida ou Morte é Deus. Aposto que se existisse um Referendo, as homilias seria repletas de ameaças com o fogo do Inferno a quem adotar tal prática e até mesmo se os cristãos permitirem que se legisle sobre a Eutanásia. Além disso, atribui-se a "propriedade" da Vida a Deus, o que para alguém que não acredite Nele se torna um argumento ridículo.

Poderia continuar, mas creio que já entenderam.

O nosso Estado é Laico (conquista conseguida após a Implantação da República a 5 de outubro de 1910), como tal deve abranger todos os cidadãos independentemente do seu Credo. Logo, a maioria cristã não deverá ser argumento para impedir que se consagrem direitos individuais das minorias que não professam da mesma fé.

A maioria dos portugueses até pode ser cristã, mas relembro que apesar da Moral da sociedade portuguesa, por motivos históricos, ter como pilar a moral da religião Cristã, não significa que se limite por esta. Até porque a moral religiosa tende a ser imutável, independentemente das mudanças que ocorram na própria Humanidade, e a Moral da Sociedade pode e deve acompanhar a evolução social. 

E no caso das referidas (no texto de Maria João Marques) aulas de Religião e Moral (ou Ratos Mortos, como "carinhosamente" apelidávamos a disciplina), recordo que na minha altura (ali pelos anos 90) a única religião era a Católica Cristã e a única Moral era a defendida por essa Religião - até porque a maioria dos professores estava ligada à Igreja. Ora num Estado Laico, a educação religiosa cabe às instituições religiosas e não às instituições estatais. 

No fundo, afinal parece que só concordo com a existência dos "ateus-carrapato", que são tão indesejáveis e criticáveis quanto os religiosos fanáticos.

 

 

Curtas: Fact Checks

Hoje abro site do Observador e descubro que o Fact Check tem novo formato.

Eu sou fã de Fact Checks, pois se, muitas vezes, os jornalistas não confrontam - por falta d eoportunidade ou até mesmo capacidade - determinadas declarações com factos e dados na hora, pelo menos alguém que se dê ao trabalho de fazer um Fact Check.

Face à atitude dos nossos políticos nos últimos anos, e a uma Política recheada de "inverdades", "pós verdades", demagogias e etc, acredito que os Fact Checks contribuem para o esclarecimento e informação do "cidadão comum", ou seja para uma maior transparência democrática.

 

 

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